AVASSALADORAS RIO - SURRA DE GRAVATA é a coluna quinzenal de ANDRÉ FERRER

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Segundo André Ferrer "Amarelas e medrosas" é uma tentativa de "ser menos ranzinza e um pouco mais lírico".

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ele Desceu Do Mundo (Prosa Poética)
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Ele desceu do mundo para viajar na cauda de um piano. Ele desceu do mundo para não mais vestir luto. Ele desceu do mundo para não mais calçar calçados de barro. Ele desceu do mundo para usar como única etiqueta o próprio coração. Ele desceu do mundo para estender as mãos, abrindo-se. Ele desceu do mundo porque não quer mais espelhos sobre as costas. Ele desceu do mundo para não apagar o sopro esfoliante do sonho. Ele desceu do mundo para não mais o firmamento desabar devido a cruzes. Ele desceu do mundo para que os outros corpos da luz não fiquem à margem. Ele desceu do mundo porque fumaça não é fogo. Ele desceu do mundo porque no “pão, pão; queijo, queijo” não há mesa para todos. Ele desceu do mundo já que artimanha é manha &, não, arte. Ele desceu do mundo porque sua mão não mais desce sobre ninguém. Ele desceu do mundo para não podar palavras, suas ou de outros; nem sentar-se sobre elas. Ele desceu do mundo, pois o sapo, no gogó alheio, não se torna um príncipe. Ele desceu do mundo, pois despertares há noutros níveis que principiam sonhando. Ele desceu do mundo após confirmar que o gólgota não passa de um clique na miragem. Ele desceu do mundo enquanto havia tempo. Ele desceu do mundo sabendo que até a cova há sobrepesos a serem perdidos. Ele desceu do mundo, pois o viço da virtude só dá salto quântico através da bendita gratidão. Ele desceu do mundo. por Rafael de Castro

Um comentário:

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